Produção de etanol deve subir 16% em meio à volatilidade do petróleo


A produção de etanol de cana-de-açúcar e milho terá salto de 37 para cerca de 43 bilhões de litros no ciclo 2026/2027, aumento de 16% em relação ao ciclo anterior. Enquanto isso, a produção de açúcar deve recuar mais de 7%. O setor sucroalcooleiro prevê que a safra de cana-de-açúcar 2026/2027, que começa oficialmente em abril, deve crescer 3,15%, atingindo 677,7 milhões de toneladas.

O avanço do etanol reflete a expectativa de maior demanda interna, em função da ampliação do percentual do álcool anidro na gasolina, que subiu de 27% para 30% e pode alcançar 35% ainda em 2026. Cada ponto percentual adicional aumenta a demanda por 920 milhões de litros por ano.

Em meio à guerra no Oriente Médio, que tem provocado bastante volatilidade nos preços do petróleo, o etanol brasileiro se destaca como alternativa mais barata aos combustíveis fósseis. Enquanto nos Estados Unidos os preços da gasolina e do diesel subiram cerca de 30% e 40%, respectivamente, no Brasil os aumentos foram mais contidos, 7% e 20%, devido à adição de biocombustíveis na matriz energética.

O etanol hidratado, utilizado diretamente nos veículos flex, mantém vantagem econômica quando custa até 70% do preço da gasolina, compensando seu menor poder calorífico. Dados recentes indicam estabilidade relativa do preço médio do etanol mesmo diante da volatilidade internacional.

Expansão do etanol de milho

Além da cana-de-açúcar, o Brasil tem acelerado a produção de etanol de milho, tornando-se o segundo maior produtor mundial. Com custos de produção até 40% menores e possibilidade de fabricação durante todo o ano, o setor deve alcançar 10 bilhões de litros na safra 2025/26, garantindo maior estabilidade de oferta.

O etanol brasileiro projeta-se também no mercado internacional, em meio à crescente demanda por combustíveis limpos e descarbonização. Países como Índia, Vietnã, México e Japão estudam ampliar o percentual de álcool na gasolina, enquanto a Argentina autorizou recentemente a mistura de até 15%.

Mesmo sendo grande produtor e exportador de petróleo, o Brasil ainda depende de importações para atender parte da demanda interna, especialmente de diesel e gasolina. Nesse cenário, o etanol atua como colchão de segurança econômica e ambiental.

Tecnologia e futuro dos biocombustíveis

O histórico brasileiro de produção de etanol e a frota de veículos flex — que supera 80% dos carros leves — consolidam o país como referência global. A expansão da produção, junto à possibilidade de exportação de tecnologia, posiciona o Brasil estrategicamente para atender à demanda crescente por biocombustíveis sustentáveis.

Para especialistas, a produção de etanol, seja de cana ou milho, fortalece a segurança energética interna e amplia o potencial de inserção do país no mercado global de combustíveis limpos, diante de um cenário internacional cada vez mais volátil, principalmente devido às tensões no Oriente Médio.

Dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostram que nos postos pesquisados em todo o país, o preço médio do etanol ficou R$ 4,72 ao final de março. Trata-se de uma elevação de menos de 2% desde o início do conflito no Irã, percentual menor que a gasolina ou diesel. Em São Paulo, principal estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados, o preço subiu 0,44%, para R$ 4,54 o litro.





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